Mitos e verdades sobre carros híbridos

O site ICarros publicou, recentemente, uma reportagem sobre os mitos e verdades sobre carros híbridos, principalmente porque, de uns anos para cá, esses modelos começaram a ter números expressivos de vendas no Brasil. Também por isso, há ainda uma certa confusão sobre suas características, vantagens e desvantagens. Vamos as diferenças?

O que são carros híbridos?

Por definição, um carro híbrido é aquele que combina dois (ou mais) tipos de propulsão para se deslocar, sendo os mais comuns aqueles que trazem um motor a combustão associado a um ou mais outros movidos por energia elétrica. Existem basicamente três tipos diferentes de híbridos:

O primeiro é o híbrido em série, no qual o motor a combustão não está ligado às rodas e serve apenas para gerar a energia que vai abastecer as baterias que, por sua vez, alimentam o motor ou motores elétricos.

O segundo tipo é o híbrido em paralelo, no qual ambos os motores – elétrico e a combustão – funcionam ao mesmo tempo. O mais comum é que cada um deles tracione um dos eixos do carro (dianteiro ou traseiro).

O terceiro é o híbrido misto, em que os motores podem funcionar juntos ou separadamente, de acordo com a necessidade de “força” determinada pelo motorista e/ou por um sistema inteligente. Dependendo das circunstâncias, esse sistema pode privilegiar a economia de combustível ou o desempenho.

Além disso, os modelos híbridos podem ser do tipo convencional (HEV) – nos quais as baterias recebem carga apenas do motor a combustão e dos sistemas de recuperação de energia (como na frenagem) – ou plug-in, geralmente equipados com baterias maiores e que podem ser recarregadas também em tomadas.

E, para confundir um pouco mais, há ainda os chamados híbridos leves (mild-hybrid), nos quais um pequeno motor elétrico – que pode ser o mesmo usado para dar partida – gera uma dose extra de potência e de torque, “ajudando” o propulsor a combustão em arrancadas e retomadas, por exemplo.

Para quem não está ligando o recurso à categoria, essa tecnologia é utilizada já há um tempo na Fórmula 1 (lembra do kers, que recupera energia das frenagens?), de onde, aliás, costumam sair muitas das inovações relacionadas à segurança e desempenho que chegam à indústria automobilística.

Agora, vamos a algumas verdades e mitos:

Carro híbrido é mais camarada com o meio ambiente?

Em termos de emissões, é verdade. Quando funcionam com a propulsão elétrica, sozinha ou mesmo associada à tradicional, à combustão, eles geram menos CO2 e gases. Na média, os híbridos poluem menos que os modelos somente a combustão.

No que diz respeito a sua construção – especialmente em relação à fabricação e descarte das baterias –, porém, há controvérsias. Embora a tecnologia desses componentes venha evoluindo, tanto a produção de matéria-prima para fabricá-los quanto o reaproveitamento depois da vida útil podem ser problemáticos.

Um modelo híbrido é melhor para viajar do que um elétrico?

Em termos de autonomia, sem dúvida. Enquanto o elétrico precisa forçosamente ser recarregado (e sua autonomia média ainda não supera aos 300 km), o híbrido, mesmo sendo plug-in, pode funcionar apenas com o motor a combustão.

Híbridos consomem menos combustível na cidade do que na estrada?

Verdade, especialmente em viagens mais longas e com médias de velocidade mais altas, quando os motores elétricos trabalham menos – isso quando simplesmente não funcionam, pela autonomia restrita de suas baterias.

Qualquer híbrido consome menos combustível que um carro a combustão?

Nem sempre. Se a medição for feita em estrada, dependendo do modelo, um veículo moderno a combustão pode rodar mais km/litro. Isso para não falar no fator peso: um subcompacto a combustão pode beber menos que um SUV híbrido.

Carros híbridos são muito mais caros que os comuns?

É verdade, mas a diferença entre as versões híbridas e as outras – especialmente as mais luxuosas – vem caindo bastante. Se levarmos em conta o consumo de combustível, menor nos híbridos, essa diferença pode até se pagar no médio/ longo prazo.

A manutenção de carros híbridos é muito mais cara?

Na verdade, os componentes da “parte elétrica” desses modelos costumam ser até mais simples e robustos que a média. E, por aliviarem parte do trabalho da mecânica a combustão, a tendência é de que a durabilidade do carro inteiro seja maior.

E, mesmo as baterias, que têm uma vida útil após a qual precisam ser trocadas, já estão sendo garantidas por sete ou mais anos de uso pelos fabricantes. Elas têm um custo superior ao das empregadas pelos modelos somente a combustão, mas são bem mais baratas que a dos somente elétricos.

No mais, a eletrônica utilizada nesses modelos não é assim tão mais complicada que a utilizada hoje nos veículos a combustão mais sofisticados.

Carros híbridos pesam mais que os somente a combustão?

Sim, pois além de carregarem todo um segundo sistema de propulsão, dependendo do modelo, utilizam baterias igualmente volumosas – embora ocupem menos espaço que seus similares puramente elétricos.

Carros híbridos são mais caros que os elétricos?

Em termos de componentes e fabricação, é verdade, pois os híbridos precisam de um número muitíssimo maior de peças e componentes que os elétricos – e que os somente a combustão, também. E a tendência é que, com o crescimento do volume de produção, os elétricos se tornem ainda mais acessíveis.

Os carros híbridos são projetados mais com foco na eficiência energética que na performance?

É verdade, mas isso não impede que, muitas vezes, a combinação entre os dois tipos de motores proporcione um desempenho superior, especialmente em relação ao torque, que é fundamental em arrancadas e retomadas de velocidade, por exemplo.

Os híbridos são mais apropriados para a realidade brasileira que os puramente elétricos?

Há quem discorde, mas é inegável que, por não dependerem de uma rede de postos de recarga ao longo das estradas (algo ainda raro por aqui), os híbridos são, sem dúvida, mais práticos e “usáveis” por aqui.

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