Brasil vai vender mais carros em 2023; Anfavea revisa projeções

O Brasil vai vender mais carros em 2023 do que era previsto. A informação é da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), que revisou para cima as projeções de emplacamentos para este ano.

Segundo Márcio de Lima Leite, presidente da Anfavea, o novo total de vendas esperado para este ano é de 2,230 milhões de autoveículos (automóveis, comerciais, caminhões e ônibus). A previsão anterior era de 2,168 milhões. Assim, há um acréscimo de 62 mil carros (6%). No ano passado, o total de vendas internas foi de 2,104 milhões.

Desses 62 mil carros extras, 20 mil serão de produção local e 42 mil serão importados, segundo a Anfavea. A projeção de veículos nacionais subiu de 1,887 milhão para 1,907 milhão. No caso dos importados, passou de 281 mil para 323 mil unidades.

Considerando apenas os veículos leves (automóveis de passeio e comerciais leves), a Anfavea prevê um aumento de 7,2%, passando de 2,040 milhões para 2,102 milhões. No ano passado, o total foi de 1,960 milhão.

Anfavea é incoerente?

Durante a entrevista coletiva, realizada de forma virtual, Márcio de Lima Leite negou que a Anfavea tenha um discurso incoerente – por um lado, reclamando da queda de exportações para países da América Latina; por outro lado, pedindo impostos de importação para retardar a formação de um mercado de carros elétricos, que tornaria a produção local mais viável.

“Isso não é incoerência, isso acontece no mundo inteiro”, disse o presidente da Anfavea. “Na Europa, a indústria automobilística está tendo dificuldades porque não consegue competir com os custos da indústria chinesa. Os Estados Unidos investiram 7 bilhões de dólares para criar um mercado de carros elétricos. A Europa investiu 7,5 bilhões de euros. O Brasil não tem condições de fazer esse investimento.”

O presidente da Anfavea disse que no Brasil ou na América Latina “quem estabelece a demanda é o consumidor final”. Para ele, é preciso ter um equilíbrio entre investimento e crescimento do mercado de carros elétricos e híbridos.

“Para produzir é preciso ter uma demanda que pague os investimentos. Uma fábrica de bateria custa 3 bilhões de dólares”, disse Lima Leite. “Nós temos a responsabilidade de 1,2 milhão de empregos. Dormimos e acordamos todo dia com essa responsabilidade.”

Setembro e exportações

Setembro apresentou bons números de produção e mercado interno, considerando que teve três dias úteis a menos do que agosto. A média diária de produção foi de 10,4 mil unidades, a maior do ano, totalizando 209 mil autoveículos.

Já as 198 mil unidades vendidas representaram média diária de 9,9 mil unidades, a segunda maior do ano. Só perdeu para as 10,7 mil/dia de julho, mês turbinado pelos descontos oferecidos pelo governo federal.

As exportações tiveram o mês mais fraco do ano, com 27 mil embarques. Segundo a Anfavea, a crise na Argentina e a queda de mercados domésticos no Chile e na Colômbia causaram um recuo de 11,2% na comparação com o mesmo período de 2022.

Com isso, as projeções da Anfavea, que eram de queda de 2,9% no ano, foram atualizadas para um recuo de 12,7% nos embarques ao exterior. A Argentina perdeu para o México o posto de maior comprador de veículos produzidos no Brasil.

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